Eu gostaria de dormir, como uma pessoa normal, eu gostaria de poder descansar uma noite inteira sem medo de ouvi-los novamente, ele estão dentro da parede, a princípio achei que fosse ratos, mas vieram já vieram ver isso e não tinha absolutamente nada, eu contratei 3 empresas diferentes, uma usou ultrassom, nada, absolutamente nada.

Eu ouço, todas as noites a parede arranhando, como se algo estivesse ali, algo que quer me pegar.

...

Eu me mudei a alguns dias para um apartamento, depois de meses de sufoco eu finalmente sai da casa que minha mãe me deixou, ela e meu pai tiveram bons momentos ali, quer dizer pelo menos até ele ir embora, ele nos abandonou quando eu tinha 11 anos, foi terrível ele era um bom pais, ninguém na minha família entendia o motivo de ele nos abandonar, ele nunca entrou em contato, até hoje, depois de 22 anos ele me enviou uma mensagem, disse que queria me encontrar na casa que minha mãe tinha me deixado, eu teria de voltar  para aquela casa onde assustadora que já estava quase vendida para uma linda família.

Esperei o dia inteiro dentro da casa, meu pais não veio, faltava pouco para anoitecer e eu sabia que deveria sair imediatamente, já tinha passado tempo suficiente naquele lugar para saber que não deveria ficar depois do anoitecer, então quando estava na porta ouvi novamente aqueles barulhos horripilantes, porem ainda estava claro lá fora, eu fui pega por um impulso de coragem e coloquei meu ouvido na parede, fui seguindo o barulho até chegar ao quarto da minha mãe, eu estava com tanta raiva que achei que deveria expurgar meus demônios, eu peguei um martelo na garagem, e corri novamente para o quarto, as paredes internas eram de Dry wall, foi fácil quebrá-las, e depois de 4 batidas eu olhei e não acreditava no que estava vendo, tinham ossos dentro da parede, estavam espalhados por toda a parede, estava enrolada em trapos, em sacos plásticos, em várias partes da parede, eu imediatamente chamei a polícia.

Após 4 meses, exames de DNA, várias suposições a polícia finalmente me disse que meu pais foi assassinado pela minha mãe, ela tinha separado o corpo dele em partes, embalado com tecidos e plásticos e tinha jogado dentro da parede por uma abertura no sótão, ele disse que isso pode ter ajudado a encobrir o cheiro, mas na hora eu lembrei que minha mãe nunca me deixava entrar em seu quarto, além de sempre estar extremamente perfumada.

A casa continua lá, eu não consigo morar nela, também não consigo vender, e até hoje nunca contei para ninguém que ouvia meu pai se arrastando pelas paredes, disse a polícia que quebrei a parede pois tinha uma certa desconfiança que minha mãe escondia dinheiro.

Aquela casa era realmente espetacular, meu pai a comprou assim que eu e minha irmã entramos no ensino médio, ela foi reformada, cuidamos do jardim e meses após a compra ela estava perfeita para morarmos, somos uma família pequena, 4 pessoas, ocupávamos os quartos do andar superior e meus pais - professores universitários -  ocupavam alguns cômodos no andar térreo para trabalhar, eu queria um espaço também, minha irmã ficou com o quarto maior pois ela decidiu que precisava de um quarto maior, eu não reclamei, não valei a pena reclamar, até porque logo que começaram a reforma eu descobri que a adega guardava um grande segredo.

A adega tinha vários compartimentos que eram fechados como uma gaiola, era como uma prisão para os vinhos, a casa era uma herança da São Paulo antiga, eu não duvido que por muito tempo vinho era a menor coisa guardada ali, mas em um dos espaço, eu encontrei uma porta por trás da estante de vinhos, eu fiz de tudo para que ninguém soubesse que existia algo ali, eu abri a pequena porta e encontrei diversas objetos de outrora, eu queria aquele lugar só pra mim, e quando finalmente a atenção para essa área da casa diminuiu eu comecei a sorrateiramente passar minhas tardes vasculhando aqueles objetos, eu encontrei diários, fotos, livros, cartas, além de coisas que eu não entendia, coisas de um século antigo.

Eu sempre utilizava velas para iluminar o local, não tinha eletricidade nem janelas que poderiam ajudar na iluminação, então demorei para perceber que existia mais naquela sala do que apenas papeis e objetos velhos, isso aconteceu quando já estava cansado, eu comecei a perder o interesse e fui verificar  se não tinha algo interessante que tivesse me escapado, foi então que percebi que no canto das paredes existiam buracos com grandes, eu logo imaginei que teriam mais salinhas como essa, conectadas, mas estavam trancadas.

Fui dormir aquela noite pensando em como quebrar aqueles cadeados sem chamar atenção, então quando me virei na cama vi uma figura sinistra olhando da porta, não era ninguém da minha família, não era ninguém conhecido, essa figura me olhou nos olhos, eu não consegui manter o olhar, comecei a me sentir sufocado, queria gritar, tentei me levantar da cama, mas nesse instante percebi que não estava mais na minha cama, eu estava preso dentro de uma daquelas pequenas aberturas que tinha encontrado na parede, eu bati com meus pés com força, eu sabia que aquele cadeados velhos não iriam durar, e com um pequeno esforço consegui sair, eu corri até o local onde deveria ficar a porta, mais alguém tinha fechado tudo com cimento, eu estava preso, dentro de uma sala sem janelas, energia, eu gritava mais quem me ouviria naquele lugar.

Eu sei que vou ficar sem ar em algum momento, já se passaram horas desde que acordei preso nesse lugar, e com um pedaço de vela que encontrei consegui iluminação suficiente para registrar como vim parar nesse lugar, eu não sei como nem quem me colocou aqui, mas tenho a impressão que quando a noite cair novamente eu saberei.

Andava calmamente voltando da escola, o relógio marcava 1 hora da tarde, não tinha muita gente na rua, eu pensava no que faria com no fim de semana, e chegando a um cruzamento, olhei para verificar se algum carro passava. Quando olhei para a direita vi que um homem descia a rua, ele vestia uma roupa social preta, usava chapel e na mão uma bengala que ele girava enquanto andava, ele desceu a rua e não me olhou, apenas seguiu seu caminho.

Na esquina seguinte eu refiz o mesmo movimento, conferi os carros e me preparava para atravessar quando mais uma vez vi um homem descendo a rua, exatamente igual ao anterior, mas dessa vez ele andava mais rápido. Automaticamente eu comecei a ficar com medo, também andei mais rápido, e chegando ao terceiro cruzamento eu o vi novamente, embora estivesse andando ele dava passos largos,  dessa vez ele me olhou nos olhos, eu me arrepiei, aqueles olhos era pura maldade, eu estava em pânico, e comecei a correr, então eu parei por um minuto e pensei que talvez eu devesse seguir um caminho diferente, embora só estivesse faltando um cruzamento para chegar em casa, eu mudei meu caminho.

- Não encontrei o homem em mais nenhuma rua, desde então eu evito aquela área

- Que bom que você teve o bom senso de não chegar ao quarto cruzamento, ele com certeza estaria o esperando, provavelmente ainda está...