Emparedado

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Aquela casa era realmente espetacular, meu pai a comprou assim que eu e minha irmã entramos no ensino médio, ela foi reformada, cuidamos do jardim e meses após a compra ela estava perfeita para morarmos, somos uma família pequena, 4 pessoas, ocupávamos os quartos do andar superior e meus pais - professores universitários -  ocupavam alguns cômodos no andar térreo para trabalhar, eu queria um espaço também, minha irmã ficou com o quarto maior pois ela decidiu que precisava de um quarto maior, eu não reclamei, não valei a pena reclamar, até porque logo que começaram a reforma eu descobri que a adega guardava um grande segredo.

A adega tinha vários compartimentos que eram fechados como uma gaiola, era como uma prisão para os vinhos, a casa era uma herança da São Paulo antiga, eu não duvido que por muito tempo vinho era a menor coisa guardada ali, mas em um dos espaço, eu encontrei uma porta por trás da estante de vinhos, eu fiz de tudo para que ninguém soubesse que existia algo ali, eu abri a pequena porta e encontrei diversas objetos de outrora, eu queria aquele lugar só pra mim, e quando finalmente a atenção para essa área da casa diminuiu eu comecei a sorrateiramente passar minhas tardes vasculhando aqueles objetos, eu encontrei diários, fotos, livros, cartas, além de coisas que eu não entendia, coisas de um século antigo.

Eu sempre utilizava velas para iluminar o local, não tinha eletricidade nem janelas que poderiam ajudar na iluminação, então demorei para perceber que existia mais naquela sala do que apenas papeis e objetos velhos, isso aconteceu quando já estava cansado, eu comecei a perder o interesse e fui verificar  se não tinha algo interessante que tivesse me escapado, foi então que percebi que no canto das paredes existiam buracos com grandes, eu logo imaginei que teriam mais salinhas como essa, conectadas, mas estavam trancadas.

Fui dormir aquela noite pensando em como quebrar aqueles cadeados sem chamar atenção, então quando me virei na cama vi uma figura sinistra olhando da porta, não era ninguém da minha família, não era ninguém conhecido, essa figura me olhou nos olhos, eu não consegui manter o olhar, comecei a me sentir sufocado, queria gritar, tentei me levantar da cama, mas nesse instante percebi que não estava mais na minha cama, eu estava preso dentro de uma daquelas pequenas aberturas que tinha encontrado na parede, eu bati com meus pés com força, eu sabia que aquele cadeados velhos não iriam durar, e com um pequeno esforço consegui sair, eu corri até o local onde deveria ficar a porta, mais alguém tinha fechado tudo com cimento, eu estava preso, dentro de uma sala sem janelas, energia, eu gritava mais quem me ouviria naquele lugar.

Eu sei que vou ficar sem ar em algum momento, já se passaram horas desde que acordei preso nesse lugar, e com um pedaço de vela que encontrei consegui iluminação suficiente para registrar como vim parar nesse lugar, eu não sei como nem quem me colocou aqui, mas tenho a impressão que quando a noite cair novamente eu saberei.

Rodrigo

Autor

Gosto de histórias de terror, que mexam com o psicológico, os livros geralmente fazem um bom trabalho nesse quesito, já os filmes são apenas marketing.

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